Masculinidade, sofrimento psíquico e violência de gênero

Texto extendido da publicação do DIário de Santa Maria do dia 19/05/2026

Marcio Medeiros

5/21/202614 min read

1. Introdução

A violência contra a mulher constitui um dos problemas sociais mais graves da contemporaneidade brasileira, não apenas por sua frequência estatística, mas por sua inserção em padrões históricos de desigualdade de gênero, dominação simbólica, controle afetivo e assimetria de poder nas relações íntimas. Não se trata de um fenômeno explicável exclusivamente por desvios individuais, impulsividade, “descontrole emocional” ou conflitos domésticos isolados. Embora cada caso possua circunstâncias próprias, a recorrência dos dados indica uma regularidade social que exige interpretação sociológica, psicológica, jurídica e sanitária.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (2024), a violência contra a mulher, especialmente a violência praticada por parceiro íntimo e a violência sexual, configura simultaneamente um problema de saúde pública e uma violação dos direitos humanos. Estimativas globais indicam que cerca de uma em cada três mulheres já sofreu violência física e/ou sexual ao longo da vida, sendo a violência por parceiro íntimo uma das formas mais recorrentes dessa experiência. Essa informação é decisiva porque desloca o debate do campo da excepcionalidade para o campo da estrutura: a violência contra a mulher não é um conjunto disperso de episódios anômalos, mas um padrão socialmente reiterado. (Organização Mundial da Saúde)

No Brasil, a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, conduzida pelo DataSenado e pelo Observatório da Mulher contra a Violência, informa que, em 2025, 27% das brasileiras com 16 anos ou mais declararam já ter sofrido violência doméstica ou familiar provocada por homem, o que corresponde a aproximadamente 23,6 milhões de mulheres. A mesma pesquisa indica que a relação mais comum entre vítima e agressor, nos casos de violência mais grave provocada por homem, era de natureza afetiva, envolvendo marido, companheiro ou namorado (DATASENADO; OBSERVATÓRIO DA MULHER CONTRA A VIOLÊNCIA, 2025). (Senado Federal)

Dessa forma, a violência contra a mulher deve ser compreendida como expressão de relações sociais historicamente organizadas por desigualdades de gênero. Isso não significa afirmar que todos os homens sejam violentos, nem que a violência seja uma propriedade natural da masculinidade. Ao contrário, o ponto central é precisamente o inverso: determinadas formas de masculinidade são culturalmente produzidas, socialmente estimuladas e institucionalmente toleradas, fazendo com que muitos homens aprendam a expressar sofrimento, insegurança, ciúme, frustração ou desejo de controle por meio de agressividade, silêncio, coerção ou dominação.

2. Violência de gênero e assimetria nas relações íntimas

A violência de gênero não pode ser reduzida a uma disputa abstrata entre homens e mulheres. O conceito remete a formas de violência sustentadas por expectativas sociais, papéis de gênero, desigualdades de poder e normas culturais que atribuem lugares distintos ao masculino e ao feminino. Nesse sentido, a violência contra a mulher no ambiente doméstico-afetivo não é apenas violência “entre parceiros”; em muitos casos, é violência orientada por controle, posse, vigilância, humilhação e tentativa de subordinação da autonomia feminina.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2025), no 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, registrou 1.492 feminicídios em 2024, o maior número da série histórica. O mesmo levantamento indica aumento expressivo de registros associados à violência doméstica e de gênero, incluindo tentativas de feminicídio, violência psicológica, perseguição e acionamentos policiais por violência doméstica. Esses dados demonstram que a violência contra a mulher não se limita ao dano físico imediato, mas envolve um continuum de práticas que pode incluir ameaça, controle emocional, violência patrimonial, coerção, isolamento social e, em seu extremo, morte. (Publicações Fórum Segurança)

A análise conceitual de Johnson (2008) é importante para qualificar esse debate. O autor distingue diferentes formas de violência doméstica, entre elas a “violência situacional de casal” e o “terrorismo íntimo”. A primeira pode emergir de conflitos relacionais específicos, sem necessariamente envolver uma dinâmica sistemática de controle. Já o terrorismo íntimo se caracteriza por um padrão contínuo de dominação, intimidação, vigilância e coerção. Essa distinção é relevante porque impede tanto a negação da violência sofrida por homens quanto a falsa equivalência entre fenômenos distintos. Nem toda agressão conjugal possui a mesma estrutura, a mesma gravidade ou a mesma função relacional.

Quando se examina a violência contra mulheres em relações íntimas, especialmente nos casos de feminicídio, reincidência, controle coercitivo e violência sexual, torna-se evidente que a questão não pode ser tratada como mero conflito interpessoal simétrico. A violência de gênero possui especificidade própria porque se articula a uma cultura na qual a autonomia feminina ainda é frequentemente percebida como ameaça à autoridade masculina. O término de uma relação, a recusa sexual, a independência financeira, a liberdade de circulação ou a formação de novos vínculos podem ser interpretados, por homens socializados em modelos rígidos de masculinidade, como perda de domínio, humilhação ou afronta.

3. Masculinidade hegemônica e produção cultural do adoecimento

A noção de masculinidade hegemônica, formulada por Connell (1995) e posteriormente revista por Connell e Messerschmidt (2005), permite compreender que a masculinidade não é uma essência biológica, mas uma configuração histórica, relacional e hierarquizada. A masculinidade hegemônica não corresponde ao comportamento de todos os homens, mas a um modelo culturalmente valorizado que associa o masculino à força, à autoridade, à racionalidade instrumental, à autossuficiência, à competitividade, ao controle emocional e à superioridade simbólica sobre aquilo que é socialmente codificado como feminino.

Connell e Messerschmidt (2005) sustentam que o conceito de masculinidade hegemônica não deve ser entendido como uma tipologia rígida de traços individuais, mas como uma prática social situada, atravessada por relações de poder e sujeita a transformações históricas. Esse ponto é essencial para evitar interpretações simplificadoras. Não se trata de afirmar que “homens são assim”, mas de investigar quais padrões de socialização ensinam meninos e homens a rejeitar vulnerabilidade, cuidado, dependência afetiva e expressão emocional.

No contexto brasileiro, essa construção cultural aparece em diversas formas cotidianas de educação informal: “homem não chora”, “homem tem que aguentar”, “homem não leva desaforo”, “homem deve ser forte”, “homem não fala de sentimento”. Tais expressões, aparentemente banais, funcionam como dispositivos de formação subjetiva. Elas ensinam desde cedo que a sensibilidade é indesejável, que o sofrimento deve ser ocultado e que o cuidado é uma prática secundária ou feminilizada.

Esse processo produz um empobrecimento do repertório emocional masculino. Muitos meninos são pouco estimulados a nomear emoções, reconhecer medo, elaborar tristeza, pedir ajuda, demonstrar afeto, lidar com frustração ou reparar danos. Em contrapartida, podem receber maior autorização social para expressar raiva, competição, dureza, desprezo e agressividade. O resultado não é a ausência de sofrimento, mas sua expressão distorcida. A dor psíquica, quando não encontra linguagem, pode aparecer como irritabilidade, isolamento, uso abusivo de álcool, condutas de risco, controle sobre parceiras, explosões agressivas ou retraimento depressivo.

4. Masculinidade, saúde e negação do cuidado

A relação entre masculinidade e saúde foi analisada de forma decisiva por Courtenay (2000), para quem determinados comportamentos prejudiciais à saúde podem operar como práticas de demonstração de masculinidade. Em outros termos, alguns homens não apenas se cuidam menos por falta de informação; eles podem aprender socialmente que não cuidar de si, suportar dor, evitar médicos, minimizar sintomas e assumir riscos são formas de confirmar virilidade. O adoecimento masculino, portanto, não decorre apenas de fatores individuais, mas de uma economia simbólica em que cuidado e vulnerabilidade são interpretados como sinais de fraqueza.

Essa constatação é coerente com a literatura psicológica sobre busca de ajuda. Addis e Mahalik (2003) demonstram que a procura masculina por auxílio psicológico ou médico é atravessada por normas de gênero, contextos sociais e expectativas de autossuficiência. Homens frequentemente recorrem menos a serviços de saúde mental, sobretudo quando o sofrimento envolve emoções consideradas incompatíveis com a masculinidade tradicional, como medo, vergonha, dependência, tristeza ou sensação de fracasso (ADDIS; MAHALIK, 2003).

O Ministério da Saúde (2024), ao tratar da saúde do homem, reconhece que barreiras culturais contribuem para a menor procura masculina por serviços de saúde. A pasta destaca que modos tradicionais de ser homem podem compreender cuidado e busca por ajuda como sinais de fragilidade, induzindo muitos homens a procurar atendimento apenas quando o sofrimento já se agravou. Esse dado é especialmente relevante porque demonstra que a saúde mental masculina não pode ser pensada apenas como decisão individual; ela depende de normas culturais que autorizam ou interditam certas formas de sofrimento.

A repressão emocional masculina, portanto, possui dupla consequência. De um lado, prejudica os próprios homens, pois dificulta o reconhecimento precoce do sofrimento psíquico, reduz a busca por apoio e favorece adoecimentos silenciosos. De outro, afeta suas relações, pois sujeitos pouco habituados a reconhecer emoções tendem a ter maior dificuldade em lidar com conflitos, recusas, perdas, frustrações e limites impostos pelo outro. Essa articulação entre sofrimento interno e violência relacional é central para compreender por que a saúde mental masculina deve ser discutida também como questão ética e social.

5. Suicídio masculino e sofrimento silencioso

A taxa de suicídio masculino constitui um dos indicadores mais contundentes dos efeitos psicossociais da masculinidade tradicional. De acordo com o Ministério da Saúde (2021), ao analisar os casos de suicídio no Brasil entre 2010 e 2019, observou-se que homens apresentaram risco 3,8 vezes maior de morte por suicídio em comparação às mulheres. Em 2019, a taxa de mortalidade por suicídio entre homens foi de 10,7 por 100 mil habitantes, enquanto entre mulheres foi de 2,9 por 100 mil (BRASIL, 2021).

Esse dado não deve ser interpretado de maneira simplista. O suicídio é fenômeno multideterminado, envolvendo fatores psíquicos, sociais, econômicos, familiares, culturais e biológicos. Todavia, a diferença expressiva entre homens e mulheres exige consideração sociocultural. Homens tendem a comunicar menos seu sofrimento, buscar menos serviços de saúde mental, utilizar métodos mais letais e chegar aos serviços em quadros mais agravados. A masculinidade tradicional, ao associar ajuda à fraqueza, produz uma barreira subjetiva e social que intensifica o risco.

Nesse sentido, o suicídio masculino não deve ser utilizado para relativizar a violência contra a mulher, mas para ampliar a crítica ao modelo de masculinidade que produz danos em múltiplas direções. O mesmo sistema cultural que autoriza homens a ocupar posições de controle também os aprisiona em expectativas de dureza, silêncio e invulnerabilidade. Há, portanto, uma dimensão paradoxal: masculinidades tradicionais podem conferir privilégios sociais aos homens, mas também podem produzir sofrimento psíquico, isolamento afetivo e incapacidade de buscar cuidado.

Esse ponto é fundamental para evitar uma leitura moralista do problema. A crítica à masculinidade hegemônica não significa condenar os homens como grupo, mas examinar os padrões de formação subjetiva que limitam sua capacidade de vínculo, cuidado, empatia e autorregulação. A saúde mental masculina deve ser pensada como parte de uma política mais ampla de transformação das relações de gênero, e não como pauta concorrente à proteção das mulheres.

6. Déficits de socialização emocional e habilidades relacionais

Um dos aspectos centrais do problema está na socialização emocional. Em muitos contextos familiares, escolares e comunitários, meninos são pouco treinados para observar sentimentos alheios, modular comportamentos, reparar danos, expressar vulnerabilidade ou desenvolver empatia. Em contrapartida, podem ser estimulados a competir, resistir, responder agressivamente, ocultar medo e demonstrar força. Essa diferença não decorre de uma inferioridade emocional masculina, mas de uma pedagogia cultural desigual.

A literatura sobre masculinidade e saúde sustenta que práticas sociais associadas ao masculino são construídas em relação a instituições, normas e expectativas coletivas (COURTENAY, 2000). Assim, quando um menino aprende que chorar é vergonhoso, pedir desculpas é humilhante ou cuidar é “coisa de mulher”, ele não está apenas adquirindo hábitos individuais; está incorporando uma gramática social que organiza sua relação consigo mesmo e com os outros.

Essa gramática tem efeitos profundos. A ausência de linguagem emocional dificulta a elaboração psíquica. Aquilo que não pode ser dito tende a aparecer de outros modos: no corpo, na agressividade, na fuga, no uso de substâncias, na apatia ou na tentativa de controle externo. Em relações afetivas, tal limitação pode se tornar especialmente perigosa. O ciúme pode ser interpretado como prova de amor; a vigilância, como cuidado; a posse, como compromisso; a agressividade, como resposta legítima à frustração; a insistência sexual, como direito conjugal. Essas distorções não surgem do nada: elas são alimentadas por normas culturais que ainda romantizam controle, virilidade e poder masculino.

A prevenção da violência, portanto, exige mais do que punição posterior. Requer formação emocional, educação ética e desenvolvimento de habilidades sociais desde a infância. Meninos precisam aprender que sentir medo, tristeza, insegurança ou frustração não diminui sua dignidade. Precisam aprender que relações afetivas não são relações de posse; que recusa não é humilhação; que término não é afronta; que cuidado não é fraqueza; que conversar sobre sofrimento não é perda de masculinidade.

7. Violência contra a mulher e saúde mental masculina como problemas articulados

A violência contra a mulher e o adoecimento psíquico masculino não devem ser tratados como temas separados. Embora possuam expressões diferentes, ambos se relacionam à forma como a cultura organiza o masculino. A violência de gênero revela a face externa da masculinidade dominadora: controle, coerção, agressividade, imposição e negação da autonomia feminina. O sofrimento psíquico masculino revela sua face interna: silêncio, isolamento, vergonha, baixa procura por ajuda e dificuldade de simbolizar a própria dor.

A Organização Mundial da Saúde (2024) aponta que a violência contra mulheres está associada a normas sociais que reforçam desigualdades de gênero, tolerância à violência e comportamentos masculinos de controle. Essa interpretação converge com os estudos sobre masculinidade ao indicar que a prevenção não pode se restringir à esfera penal; ela exige intervenção cultural, educacional e comunitária.

Nesse sentido, discutir saúde mental masculina não significa deslocar o foco da violência contra a mulher, mas aprofundá-lo. Homens emocionalmente empobrecidos, incapazes de nomear sofrimento e socializados para interpretar vulnerabilidade como ameaça tendem a encontrar maior dificuldade na construção de relações simétricas. Isso não significa que sofrimento gere automaticamente violência, nem que todo homem adoecido seja agressor. Significa apenas que certos padrões de socialização masculina podem aumentar riscos relacionais quando combinados com desigualdade de gênero, impunidade, abuso de substâncias, ciúme possessivo, repertório emocional restrito e modelos autoritários de vínculo.

Por isso, uma política séria de enfrentamento à violência contra a mulher deve incluir, além da proteção às vítimas, ações educativas voltadas a meninos e homens. Isso envolve responsabilização de autores de violência, grupos reflexivos, educação para a igualdade de gênero, programas de paternidade responsável, ampliação do acesso masculino aos serviços de saúde mental e desconstrução de normas que associam masculinidade à dominação.

8. Implicações para educação, saúde pública e políticas sociais

A escola ocupa lugar estratégico nesse processo. Se parte da violência é aprendida culturalmente, sua prevenção também precisa ser pedagógica. Programas de educação emocional, habilidades sociais, resolução não violenta de conflitos, respeito aos limites corporais e igualdade de gênero devem ser desenvolvidos desde a infância, com linguagem adequada a cada faixa etária. O objetivo não é culpabilizar meninos, mas ampliar seu repertório humano.

No campo da saúde pública, é necessário reconhecer que muitos homens não procuram ajuda espontaneamente. Estratégias de prevenção baseadas apenas na iniciativa individual tendem a ser insuficientes. É preciso construir serviços acolhedores, campanhas específicas, ações territoriais e dispositivos de cuidado que alcancem homens antes que o sofrimento se converta em crise. A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, mencionada pelo Ministério da Saúde, é relevante justamente por reconhecer que a saúde masculina exige abordagem específica, incluindo paternidade, cuidado, prevenção de violências e acesso aos serviços (BRASIL, 2024).

No campo jurídico e assistencial, a proteção das mulheres permanece indispensável. Medidas protetivas, acolhimento especializado, atendimento psicológico, fortalecimento da rede socioassistencial, capacitação de profissionais, responsabilização dos autores de violência e monitoramento de reincidência são componentes fundamentais. Todavia, sem transformação cultural, a política pública tende a atuar apenas depois da violência já ocorrida.

A prevenção exige uma mudança no modelo de masculinidade socialmente legitimado. Homens precisam ser educados para reconhecer emoções, cuidar de si, respeitar o outro, elaborar perdas, aceitar recusas, dividir responsabilidades domésticas, exercer paternidade afetiva e construir vínculos sem dominação. Trata-se de deslocar a masculinidade do eixo do poder para o eixo da responsabilidade.

9. Considerações finais

A violência contra a mulher não é um problema secundário, episódico ou restrito ao âmbito privado. Ela expressa uma estrutura social na qual desigualdades de gênero continuam organizando afetos, relações, famílias, instituições e práticas cotidianas. Os dados nacionais e internacionais mostram que a violência por parceiro íntimo e a violência doméstica atingem proporções incompatíveis com qualquer interpretação individualizante ou casual.

Ao mesmo tempo, a análise da saúde mental masculina permite compreender que modelos tradicionais de masculinidade também produzem sofrimento nos próprios homens. A negação das emoções, a recusa do cuidado, a vergonha de pedir ajuda, o empobrecimento da linguagem afetiva e a identificação da virilidade com domínio ou invulnerabilidade formam um conjunto de disposições socialmente aprendidas que prejudicam homens, mulheres e crianças.

Portanto, prevenir a violência contra a mulher e promover a saúde mental masculina são tarefas articuladas. Ambas exigem a crítica de uma cultura que ensina muitos homens a adoecerem em silêncio e, em alguns casos, a expressarem sofrimento por meio de controle, agressividade ou violência. O problema não reside no fato de ser homem, mas em modelos de masculinidade que empobrecem a experiência afetiva, interditam o cuidado e naturalizam relações assimétricas de poder.

Uma sociedade comprometida com a redução da violência de gênero precisa educar meninos e homens para a empatia, a autorregulação emocional, a reciprocidade e a responsabilidade ética. A masculinidade não precisa ser abolida, mas profundamente reconfigurada: menos centrada na dureza, no controle e na invulnerabilidade; mais orientada pelo cuidado, pela palavra, pelo reconhecimento da alteridade e pela construção de vínculos não violentos.

Referências

ADDIS, Michael E.; MAHALIK, James R. Men, masculinity, and the contexts of help seeking. American Psychologist, Washington, v. 58, n. 1, p. 5-14, 2003. (ERIC)

BRASIL. Ministério da Saúde. Brasil registra aumento de suicídios entre 2010 e 2019. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. (Serviços e Informações do Brasil)

BRASIL. Ministério da Saúde. Mortalidade por suicídio e notificações de lesões autoprovocadas no Brasil. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. (Serviços e Informações do Brasil)

BRASIL. Ministério da Saúde. Barreiras culturais contribuem para maior taxa de suicídio e doenças não transmissíveis entre os homens. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. (Serviços e Informações do Brasil)

CONNELL, Raewyn. Masculinities. Berkeley: University of California Press, 1995.

CONNELL, Raewyn; MESSERSCHMIDT, James W. Hegemonic masculinity: rethinking the concept. Gender & Society, Thousand Oaks, v. 19, n. 6, p. 829-859, 2005. (JSTOR)

COURTENAY, Will H. Constructions of masculinity and their influence on men’s well-being: a theory of gender and health. Social Science & Medicine, Amsterdam, v. 50, n. 10, p. 1385-1401, 2000. (ScienceDirect)

DATASENADO; OBSERVATÓRIO DA MULHER CONTRA A VIOLÊNCIA. Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher: 11ª edição. Brasília: Senado Federal, 2025. (Senado Federal)

FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. São Paulo: FBSP, 2025. (Publicações Fórum Segurança)

JOHNSON, Michael P. A typology of domestic violence: intimate terrorism, violent resistance, and situational couple violence. Boston: Northeastern University Press, 2008. (Google Livros)

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Violence against women. Geneva: WHO, 2024. (Organização Mundial da Saúde)

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE; ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Violência contra as mulheres. Washington, D.C.: OPAS/OMS, 2024. (Organização Pan-Americana da Saúde)

Sobre

contato@marciomedeiros.org

Serviços
Professor de sociologia, filosofia e ed. socioemocional